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FONTE: Folha de Londrina 22/março/2016 - http://www.folhaweb.com.br/?id_folha=2-1--1769-20160322&tit=dialogo+para+a+construcao+da+paz

22/03/2016 Diálogo para a construção da paz

Entidades promovem ações educativas em escolas para conscientizar crianças da importância de comportamentos morais e éticos

Fotos: Gina Mardones

Cerca de cem alunos de 56 escolas municipais foram selecionados e empossados como embaixadores agentes da paz; eles firmaram o compromisso de fomentar a cultura da paz no ambiente escolar

Em tempos em que a intolerância tem se mostrado muito forte em vários âmbitos da sociedade, sobretudo política, religiosa e social, resultando, não raras as vezes, em ações violentas, medidas visando a cultura da paz, a reconciliação e a boa convivência entre as pessoas tornaram-se fundamentais. Ou melhor, emergenciais. Isso porque, as leis e respectivas punições não estão sendo suficientes para que esse cenário mude. É preciso, portanto, repensar formas de resgatar e reconstruir valores, sobretudo, morais e éticos. Pode parecer utópico, mas iniciativas Brasil afora – ainda que pontuais – estão mostrando que, sim, ainda há esperanças e é esse um dos caminhos.

Simbolizando a importância do desarmamento, alunos entregaram armas de brinquedo

Uma das ações locais é o Movimento pela Paz e não-Violência, promovido pelo Conselho Municipal de Cultura de Paz (Compaz) em parceria com várias entidades como ONG Londrina Pazeando, Clube Aventureiros do Amanhecer e Capítulo União Londrinense da Ordem Demolay, o qual desenvolve ações diretamente com crianças e adolescentes. "Nosso princípio tem ido de encontro aos princípios da Justiça Restaurativa, que defende a importância do diálogo na construção da paz, na qual não se busca o perdão, propriamente dito, mas o consenso", explica Luis Claudio Galhardi, coordenador da ONG Londrina Pazeando.

Segundo ele, não adianta mais o país continuar investindo apenas no modelo punitivo de sociedade, que coloca o Brasil na quarta posição no ranking de maior população carcerária do mundo. "Tentando reverter ou minimizar esse quadro, a Justiça Restaurativa começou a ser implantada em algumas regiões e os resultados têm sido satisfatórios. Aqui em Londrina, esse modelo ainda não faz parte das políticas públicas, mas, felizmente, há dois anos, conseguimos montar um grupo em que profissionais de vários setores participam." Dessa forma, o grupo já possui 76 multiplicadores das áreas da educação, assistência social, judiciária e saúde, que levam a cultura da paz para as comunidades em que atuam. Duas escolas municipais estão participando desse projeto piloto.

Pensando nisso, recentemente, a entidade produziu, também, o gibi "A importância do diálogo na construção da paz – Londrina, Cidade da Paz" – na versão impressa e vídeo - para que sirva de material pedagógico nas escolas e organizações. No entanto, há cinco anos, a entidade já realiza o evento "Embaixadores Agentes da Paz" em parceria com a Secretaria Municipal de Educação. Depois de uma atividade lúdica com um material, os professores trabalharam conceitos de cultura de paz e não-violência, desarmamento infantil com quase 5 mil alunos. Destes, cerca de cem alunos de 56 escolas municipais foram selecionados para serem empossados como embaixadores agentes da paz, firmando, assim, o compromisso de fomentar a cultura da paz no ambiente escolar.

O dia da posse foi marcado por atividades recreativas, o 2º Abraço pela Paz dos Embaixadores e recebimento de uma carteirinha de Embaixador Agente da Paz. Na ocasião, os alunos foram convidados a participar, durante todo o ano, de atividades que o movimento realiza, como o Acampamento pela Cultura de Paz (Acampaz). Os estudantes também receberam o convite para participarem, todos os sábados, do Clube Aventureiros do Amanhecer, que realiza diversas atividades de campismo e educação ambiental na sede da Patrulha Escolar, no Lago Igapó, sempre de forma lúdica. "Eles aprendem a ser autossuficientes com o desenvolvimento de várias frentes, como oratória, primeiros socorros, oficinas de artesanato e, também, atividades recreativas", resume o presidente Charleston da Silva.

Francielle Barrinuevo Zambon, coordenadora de Projetos Pedagógicos da secretaria destaca que construir uma cultura da paz envolve fomentar, nos alunos a compreensão dos princípios e respeito pela liberdade, justiça, democracia, direitos humanos, tolerância, igualdade e solidariedade. "Com isso, o nosso aluno se torna um agente facilitador da cultura de paz na escola e no seu entorno, atua em prol da rejeição da violência e em práticas promotoras da paz, que inclui como evitar brigas no interior e fora da escola", diz, completando que a posse como agente faz que muitos deles desenvolvam a responsabilidade de maneira que se torne uma prática cotidiana e natural.

Diretora da Escola Municipal José Gasparini (região norte de Londrina), Valéria Duarte comenta que sua gestão tem primado por desenvolver ações que priorizem a construção do comportamento moral das crianças. "Isso deve ser exercido no dia a dia, sempre com abertura para muito diálogo. Nosso objetivo é resgatar a sensibilidade e humanizar as relações, até mesmo familiares. Por isso, precisamos estabelecer uma relação de confiança, para que elas sintam que existe espaço para falarem, seja de seus sentimentos ou qualquer assunto. Assim, desenvolvem várias atitudes positivas, como cooperativismo, a boa convivência, cuidado com o patrimônio. Desde que intensificamos essa prática, os alunos mostraram muita diferença, para melhor, no comportamento."

Marian Trigueiros
Reportagem Local